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Ansiedade na aula – 1a parte

Por que alguns “travam” na frente do professor?

Uma jovem que adora tocar guitarra, mas que sofre com a ansiedade excessiva e “trava” quando fica na frente do professor, pediu a minha opinião, algum conselho. E a resposta gerou este texto, dividido em duas partes, que tem por intuito ajudar outros na mesma condição.

Convidei a psicóloga Luciana Porto para dar sua contribuição. Afinal, ansiedade, medos e afins são temas que merecem a consultoria de uma especialista nas “instâncias da personalidade”, como diria Freud.

Por cavalheirismo, damas primeiro! Luciana escreveu esta primeira parte e eu escrevi a segunda, que pode ser lida no próximo artigo.

 

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Texto gentilmente enviado pela Psicóloga Luciana Porto dos Santos

Todos temos algum tipo de insegurança. Acredito que não haja, no mundo, alguém que esteja completamente satisfeito em todas as instâncias de sua vida.

Sempre há o que melhorar.

Perceber que ainda é possível aprimorar-se no seu trabalho, ser um pouco mais compreensivo nas suas relações afetivas, se matricular numa academia para tonificar sua musculatura ou emagrecer… Isso tudo é positivo, estimulante e diz respeito ao seu desenvolvimento, seja ele profissional ou pessoal.
No entanto, existe um limiar entre o desejo de desenvolver-se para aumentar ainda mais o seu bem estar e a necessidade de ser cada vez melhor para provar a outrem seus valores e qualidades. Como já foi dito, o primeiro caso pode ser bastante incentivador. Já o segundo, ao contrário, como se diz popularmente, pode ser “um tiro no próprio pé”.

Apresenta-se uma necessidade tão grande de ser reconhecido que a autocobrança passa a ser desencorajadora. Cria-se a ilusão da excelência a curto prazo. De que os pequenos esforços não são o suficiente ou irão exigir muito tempo. Resultado: frustração, levando a desnecessárias desistências.

A situação pode piorar quando existe um “terceiro”, um mentor, um mestre.

Mas, ora, o que há de errado em ter, em seu auxílio, alguém que possui, neste momento, conhecimento superior ao seu e que está disposto a partilhar este conhecimento para ajudá-lo a tornar-se o melhor possível naquilo que você acredita ou acreditou ter aptidão para desenvolver?

Aparentemente, problema algum. Ou melhor: problema REAL algum. Mas e aí, dentro da sua cabecinha?

Pode ocorrer, entre novatos, o erro comum de colocar na figura do mestre algo idealizado e inalcançável ou, ainda mais comum que isso, uma referência paternal.

Analisemos a questão que nos interessa: você é louco por música! Seu sonho é ser um grande guitarrista numa banda famosa. Encontra um mestre que pode lhe oferecer todos os instrumentos necessários (conhecimento técnico, didática, paciência, referências musicais…) para realizar esta empreitada. Perfeito! Mas algo dentro de você, o seu “pai interno”, lhe diz que você precisa ser o melhor, sempre o melhor. Você chega à aula cheio de expectativas, vontades e sonhos. Olha para seu professor, para a guitarra… O professor lhe pede para tocar algo e você “trava”. Seu rosto enrubesce, as mãos começam a suar… E você não consegue sequer falar, quanto mais tocar uma nota! Aquela voz interior, exigente, sai de dentro de você e se transfere magicamente para seu mestre, como se ele estivesse assumindo este papel.

Quanta cobrança! Do mestre? Não! Afinal, ele está ali para te ajudar. Por que iria te julgar ou cobrar além do que você poderia oferecer naquele momento? E você? Por que se envergonha de saber pouco ou menos que seu mestre? Afinal, se já fosse um virtuose, nem precisaria de um professor, não é? (Apesar que muitos virtuoses não abrem mão de serem assistidos por seus mentores, que continuam os orientando e incentivando sempre.)

Além do mais, lembre-se que o desafio de aprender música, como quase tudo na vida, exige dedicação, disciplina, paciência, persistência e tempo! E aquele que está diante de você já esteve um dia na situação de aprendiz. Tenha certeza, ele também não nasceu sabendo!

Então, se você procurou uma escola, um professor, existe algo aí dentro que acredita no seu potencial. Por que não dar um pouquinho mais de atenção para esta parte que crê em si mesmo? Dê força à crença no poder (Eu posso!) e não espere milagres…

A excelência exige estrada. Mas já existe aí dentro um músico! E o professor ajudará a dar vida ao artista que já habita em você.

Luciana Porto dos Santos Psicóloga (CRP 06/92246)

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