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Dores de músico

Ocasionalmente recebo questionamentos sobre dores nos dedos, mãos e pulso.

Em primeiro lugar quero deixar claro que não sou médico. Mas creio ter bastante informação e vivência. Sendo assim, tentarei aqui ajudar com algumas considerações relevantes.
Se você é um iniciante no instrumento, então provavelmente sentirá um desconforto e alguma dor enquanto a mão vai se adaptando. E tal adaptação pode levar algum tempo, que é variável de pessoa para pessoa.
Nestes tempos de internet muita gente acha que não precisa de professor. Mas um professor dedicado é que vai acompanhar seu progresso de perto e pode te orientar e corrigir, evitando que você perca tempo estudando errado.
Saiba que muitas vezes, quando o incômodo está além do normal, o “sabotador” geralmente é você mesmo. Quer uns exemplos?
Ao tocar com a postura errada, fazendo mais força do que o necessário (não é questão de força, é jeito!), deixando a mão muito curvada ou torta, levantando um dos ombros, curvando sua coluna, usando a correia muito alta ou baixa demais, sentando-se numa cadeira imprópria, prendendo a respiração ou ficando ofegante, usando encordoamentos muito ásperos, tendo um instrumento mal regulado e etc.
Indiretamente, fatores como Stress e ansiedade, passar horas digitando ou sentado todo “torto” contribuem para este sofrimento e podem inclusive ser a causa. (Leia também o meu artigo “Saúde musical”)
Sabia que sua alimentação e até não tomar água o bastante tambem pode ser algo determinante?
Consuma ácidos graxos essenciais, que são gorduras “do bem”. Óleo de borragem ou de linhaça são muito bons pra quem tem problema nas articulações. E o Sulfato de Glicosamina também atua como um regenerador dos ligamentos e das cartilagens, além de prevenir infecções. Converse com seu médico sobre estas suplementações.
Cheque como está seu sistema nervoso. Nervos irritados no pescoço podem ser o motivo de dor na ponta dos dedos. Por isso procure um Quiroprata, mas um com nível superior. Não deixe sua coluna nas mãos de qualquer “formado” em curso técnico e que pensa que só dar estalos em você resolve o problema. A manipulação errada da espinha superior pode causar sérios danos.
Sim! Dá trabalho achar um bom profissional, sério e competente. Mas é a sua saúde! Pense nisto!
As vezes você toca há muito tempo e de repente começou a sentir dores, ou mesmo percebeu algum inchaço ou queimação.
Pois bem! Primeira coisa: Vá ao médico!
Peça ao doutor que examine, tire um Raio-X, faça um Ultrassom, etc.
Aqui serei um pouco controverso… Se for caso de cirurgia, cuidado! Alguns músicos nunca mais conseguem tocar como antes após uma intervenção cirúrgica. Principalmente onde são operados tendões. Só opte pela cirurgia se não houver mesmo um tratamento para seu caso, mesmo que demorado. É melhor tratar a longo prazo e voltar a tocar do que logo curar com uma cirurgia, mas pagar o alto preço de abandonar a carreira musical. Por isso ouça uma segunda opinião de outro especialista e, se for necessário fazer fisioterapia, não abandone os exercícios nem o tratamento ao perceber uma melhora, que é onde a maioria das pessoas deixa de ser disciplinada, já que a dor passou. Faça todas as sessões.
Em paralelo procure um bom acupunturista. Mas bom de verdade! Cuidado com quem faz um curso rápido e sai “furando” por aí, fazendo de cobaia os próprios pacientes. Acupuntura é coisa séria e posso garantir que funciona. Eu conheço e posso indicar dois excelentes profissionais em São Paulo, que são mestres nesta arte. Um é o Mestre Lô, que atende no bairro de Pinheiros e a outra é a Sra. Chen, na Vila Mariana. São chineses, fazem isto há décadas e eu mesmo me trato com eles.
Como ferramenta complementar de cura, indico o uso terapeutico da Power Ball (http://www.powerballs.com/music.php?m=Benefits )
E finalmente indico os exercícios de Meir Schneider, criador do Self-Healing, mencionados no livro Manual de Autocura (Editora Triom), no capítulo específico para músicos.
E atenção, músicos aficionados por velocidade: Nas horas em que passar praticando, esteja relaxado, confortável e nunca comece “no gás”! Ao dar a partida, todo carro sai em primeira marcha, mas tem músico que já quer sair engatando uma quarta! O aquecimento é feito lentamente, gradualmente, senão é problema na certa. Palavra de quem já teve uma terrível “Tendinite calcificada no ombro direito”, da qual nem gosto de relembrar.

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